“Se me deixasses ser…”, assim começa a nova música de Tiago Bettencourt, que se entranhou na pele, no ouvido, em todos os sentidos. Tenho esta ligação dependente com as músicas que gosto muito, posso ouvi-las repetidas vezes sem nunca me cansar. Há várias que me obrigam a dançar, como se estivesse sob o efeito extasiante de uma energia boa. Outras fazem-me quase sempre chorar. Sei perfeitamente quais são e quando preciso de ouvi-las. E, depois, há estas assim: de amor à primeira audição, já que não acredito no ‘outro’ que surge de rompante pela visão adentro. (Risos…)

Pela música, através dela, por sua influência… somos pessoas mais sensíveis ao mundo que nos rodeia. Todos temos as nossas preferidas, de eleição, inesquecíveis. E, através delas, viajamos, vivemos, sentimos. Somos seres musicais, com vontade de preservar, mas também de descobrir novos mundos nesta imensa panóplia de sons. Fiéis e, ao mesmo tempo, aventureiros. Neste campo, sabemos exatamente o que queremos ouvir, o que nos faz vibrar e apaixonar.

Sempre admirei quem, assim como eu, deixa aflorar emoções com o que ouve, tanto que até é capaz de criar novas sonoridades, melodias, interpretações… tendo por base apenas o sentir, uma paixão intrínseca, coisa de pele – de vida. Mais ou menos, como acontece com as palavras que escrevo, letras de músicas inacabadas, que gostaria de transpor um dia para o real e fazer alguém sentir o mesmo que sinto… quando uma música se entranha e faz vibrar todos os sentidos. Se eu escrever, prometes dançar?…