“Faltam-me palavras para explicar a maneira como a lonjura cabe inteira no meu olhar. Possuo longos braços invisíveis. Esta distância amplia-me. Num instante, conheço as brisas desde sempre, temos a mesma idade, tocamo-nos com a mesma pele.” As palavras são do José Luís Peixoto e descrevem uma visita ao castelo de Leiria. Mas a interpretação cabe em tantos contextos e ‘sentires’…

Tinha saudades de ‘o’ ler. Poucos escritores conseguem transmitir este fascínio pelas palavras, respeitá-las tanto e, ao mesmo, brincar com elas, deixá-las voar e tocar, levemente ou de rompante, quem se deixa seduzir pela sua leitura. E é nestes pequenos detalhes que, por vezes, nos apercebemos de que o tempo não pára, não espera, não volta. Ter saudades de fazer alguma coisa demonstra que a deixámos de fazer, em algum momento. No entanto, nunca é tarde para recuperar bons hábitos.

Ler, escrever, fotografar… não conseguiria viver sem nenhum destes verbos de ação, os autênticos, que estão a anos de luz (numa cronologia invertida) das populares selfies e dos posts alcoviteiros tão apreciados nas redes sociais (risos). Voltei aos workshops e, depois de um de fotografia criativa em que aprendi a usar o tripé e fazer longas exposições, desafiei todos os meus limites num de fotografia de rua – interagir com desconhecidos a menos de um metro de distância pode ser tão assustador como excitante (mais risos). Agora, estou muitíssimo entusiasmada e com vontade de voltar a fotografar em película. É incrível como nos revisitamos, ao longo dos anos, nas experiências e sentidos.

Já quase me sinto, outra vez, com 13 anos, de Kodak na mão (ou outra máquina vintage bem sedutora), a absorver tudo à minha volta e pronta para o clique (im)perfeito. O tempo passa… demasiado rápido, para não se fazer o que se gosta, não correr atrás dos nosso sonhos. Frase feita ou não, reconheço-lhe cada vez maior veracidade.