Outono, a minha estação de eleição. Falta um mês para “renovar os votos de ligação a este mundo”, se é que lhe pertenço (sorrio). Tenho muitas dúvidas, tal é a desconexão que sinto com determinados comportamentos e realidades, que parecem contrariar a natureza humana.

Há poucos dias, ardeu quase por completo um dos meus locais preferidos de sempre – o Pinhal de Leiria. Não só companheiro de viagem, quando o destino eram as praias da região, foi refúgio, abrigo, descoberta, paz, alegria (deixo de sorrir). Por lá, lembro-me de ter tido reuniões familiares até anoitecer, feitas de piqueniques, sestas e brincadeiras, que deixam muitas saudades. As árvores centenárias, a vegetação, os riachos, os pequenos esquilos a saltitar, as melodias de pássaros nunca vistos e… aquele cheiro intenso de natureza e ar puro – indescritível!

Por lá, aventurei-me no primeiro grande passeio de bicicleta com colegas de escola, até à praia de São Pedro de Moel, algum tempo depois de ter tentado em vão chegar ao fim numa maratona. Foram desafios duros, mas nunca pensei que pudesse já não estar ao meu alcance repeti-los. Superamos melhor dores de cansaço físico que as de alma. É grande a sensação de impotência e vazio. Por lá, morreram árvores que foram minhas confidentes, desapareceu o aroma que me libertava em dias de coração apertado, deixámos de ter “o melhor”, como lhe costumava chamar.

Não tive ainda coragem de fazer o percurso, mas vai doer e vou saber porque dói. Sou humana, afinal.