Penúltimo dia do ano. Tanta ansiedade e euforia pelo fim e início de outro. Surgem resoluções, desejos e esperanças. Espera-se sempre o melhor (o raio das expetativas… risos). Oculta-se o medo, as perdas, a desilusão. Fica tudo arrumado na gaveta de 2016. Mas a sensação é de “dejà vu”. Com mais ou menos planos, engolem-se as doze passas, interiorizam-se os mesmo devaneios, brinda-se. Uns gritam, outros dançam, e há os que se beijam. Reunir tudo seria bom. Há quem seja afortunado no momento, outros não.

Já tive experiências memoráveis nestes dias de passagem. Não sei se era da inocência ou do contexto. Mas, agora, dificilmente me motiva este véu de exaltação ilusória. O ano passado, lembro-me de ter ficado abraçada à minha cadela, que tremia com medo dos foguetes. Senti que era o melhor lugar onde poderia estar. Parece que ‘ser feliz’ tem de estar devidamente rotulado, anunciado e implica determinadas ações. A atitude está longe da verdade… cada vez mais distante da essência.

Dizer ou desejar coisas aos outros deveria ser sentido, não um cliché politicamente correto. Em oposição, fica o que não se diz. Isso é o que mais me desassossega. E já digo muito. Diz-se tanto da boca para fora, pelas vias erradas, sem contacto presencial. Privamo-nos. Afastamo-nos. Esquecemos ou não esquecemos? Talvez um dia… talvez nunca.

Sim, são só 365 dias. Só?? São tantos! Em quantos fomos realmente felizes? Quanta coragem não tivemos de ter para enfrentá-los. Quantos sorrisos? Quantas lágrimas? Nem vou falar de saudade… nem de planos não concretizados, ou de falta de sintonia. Um ano é obra. Exige muito de nós. Estar vivo é um feito. Comemorar faz sentido, afinal!

No fundo, tudo se resume à forma de estar na vida. Há os eufóricos (também sou, às vezes…) e os mais introspetivos. O objetivo comum não é muito diferente. Durante umas horas, tudo parece mais fácil, sentimo-nos mais próximos, temos esperança. Não é “ela” que move o mundo?

Desejos… humm… (vou mantê-los em privado, mas são os mesmos de sempre: simples, intensos e verdadeiros). Surpreende-me, 2017!