Sempre fui. Sempre serei. É arrebitado e tem sardas. Gosto dele assim. Não vai em cantigas. Não personifica estados de alma ou ações.

É apenas um nariz. Mas é o meu. Acompanha as linhas do meu rosto. Alinha-se com a cabeça levantada, independentemente das quedas e rasteiras. É sensível a cheiros e aromas, alguns que nunca vai esquecer.

Acompanha o meu olhar e serve de suporte para o proteger em dias ensolarados. Sofre com alergias e constipações, mas cura-se. É escorrega de lágrimas e escada de curvas de sorrisos. Tocou alguns por engano, outros com toda a certeza de querer viver intensamente todos os momentos fugazes.

Foi (é) feliz e triste, como todos os outros.

Por tudo isto e muito mais, sou, com orgulho, dona do meu nariz. Diz-me sempre alguém com um género de carinho áspero, que me faz sentir bem e mal, ao mesmo tempo. E se existir alguma frase inacabada, um sentimento por revelar, um desencontro ou algo que não sei explicar… será sempre ‘dele’ que me irei lembrar.