Frequentemente, ouço falar em bloqueios criativos, mas nunca os experienciei por muito tempo. Talvez porque tenho uma mente demasiado ativa ou agitada, que quer viver esta vida e outras se possível, nem que seja nos meus sonhos, aventureiros por natureza, às vezes quase como se fosse a dupla do agente mais secreto e carismático de sempre – uma 007 em versão feminina. (Risos)

Sempre fui uma mulher de visão e mente aberta. E, ao longo dos anos, fui tentanto transpor o que, para mim, era intuitivo e considerava positivo: apresentar novas ideias, criar diferentes metodologias, inovar procedimentos e, claro, partilhar tudo isso com quem me rodeava, muitas das vezes em contexto de trabalho.

No entanto, este meu espírito de iniciativa, a necessidade de equacionar e a grande capacidade de trabalho nem sempre foram alvo de admiração e fui, lamentavelmente, alvo de tentativas cruéis de descredibilização enquanto pessoa e profissional. Para muitos, o bom é ser apenas razoável, suficiente, para não dizer medíocre. Dá menos chatices e é menos competitivo. Há até quem reconheça preferir viver num género de “coma laboral”, o que nem vou comentar…

Hoje, depois de dez anos a dar tudo de mim, percebi que coloquei a minha vida em stand by ao aceitar exercer funções num local onde parece que não existo, nem nunca me souberam respeitar enquanto profissional. O desânimo não era novidade, embora resistisse uma pequena esperança que algo mudasse, mas hoje  inevitavelmente morreu…

Só sei que vou sair disto muito mais forte e nada nem ninguém me vai conseguir bloquear, seja a criatividade seja o percurso de vida.

Amanhã, recomeço. Determinada, como sempre.