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Nunca fui mulher de virar costas a um desafio, apesar de sentir que estou cada vez mais ponderada. Se me impelisse, ía sem hesitar, por inteiro, sem pensar muito nas consequências. E, como em qualquer ato de impulsividade, daí resultavam ou efeitos muito positivos ou surpresas difíceis de digerir. Mas, admito ter algumas saudades dessa atitude de certa forma inconsequente, repleta de espontaneidade, ainda mais frontal (risos).

Nos dias de hoje, antes de se tomar uma decisão, avalia-se tão bem todos os prós e contras que a coisa deixa de ser orientada por uma vontade, um instinto ou ímpeto, para se basear em fatores de racionalidade extrema. Pelo caminho, perdem-se sensações preciosas, ensurdecem as vozes interiores, desaceleram as batidas do coração. Porém, seguimos em frente.

Quando tudo em mim grita num sentido, dificilmente ignoro os sinais. No entanto, se me sentir dividida, bate-me a tal consciência e posso dar voltas e voltas, perder o sono, equacionar tudo e mais alguma coisa, mas de nada adianta – só me resta interiorizar o que, no fundo, já resolvi. Este abalar de estruturas faz-nos sentir vivos, permite-nos ser capazes de decidir, fazer escolhas. Certas ou erradas? Nunca vamos saber. O que é bom em todo este processo é o que acontece pelo meio, as provas que superamos, o autoconhecimento que estas experiências nos trazem.

Já dizia Fernando Pessoa: «Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha

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